domingo, 28 de abril de 2013

A Missa da Ressurreição



A Missa da Vigília é, segundo a tradição da Igreja, no Tríduo Pascal, o momento mais importante, pois nela se reúnem todos os elementos do Mistério Pascal.

A Missa do dia da Ressurreição, porém, que hoje celebramos, é aquela em que se destaca a razão de nossa fé: a Ressurreição do Senhor Cristo Jesus. Está tão profundamente vinculada à Missa da Vigília que, liturgicamente só está alterada nas leituras: evangelho e outras leituras; todas as outras orações antífonas se repetem.

Dessa maneira, este Dia, é o cume do conjunto mais importante de comemorações da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo: o Tríduo Pascal.

Esse Dia nos foi apresentado na Tradição judaica com um dia de Esperança, de alegria e louvor. Para entendermos perfeitamente o sentido deste dia, importante conhecermos o significado literal da palavra “dia”, com a finalidade de melhor compreender o conceito e o sentido do Mistério que celebramos: o Mistério Pascal e, em particular o Mistério da Ressurreição.

O salmista canta: “Este é o dia que o Senhor fez para nós!” (Sl 118, 24).

Na fonte hebraica dia é yom; na versão grega, é hemera. Quando o texto bíblico fala Dia (yom ou hemera), é evidente que se trata, em discurso teológico ou na tradição profética, de um dia consagrado para rezar e louvar; no sentido escatológico, se está designando aquele dia consagrado pelo Senhor Deus – o Dia do Senhor – que, além da forte conotação ritual, chama-nos à reflexão sobre o fim dos tempos..

É o Dia que o fiel deve abandonar todos e quaisquer afazeres para dedicar seu tempo a louvar o Senhor e, no sentido escatológico do final dos tempos, também é o Dia do Julgamento Universal, aquele grande Dia, profetizado em Mt 25, 31-45, em que todos estaremos reunidos numa grande assembleia, esperançosos e confiantes, para conhecer a plenitude da Revelação, quando veremos a Deus como ele é (1 Jo 3, 2b), a Jesus Cristo na sua glória, em comunhão com a criação inteira.

Nesse Dia compreenderemos por que e para que fomos criados; é, sem dúvida, um Dia de grande e profunda alegria que hoje já podemos viver, mas ainda não na plenitude. Hoje, no Dia do Senhor, que apelidamos de Domingo, podemos imaginar e, sob certos aspectos, viver o dia de nossa ressurreição em Cristo Jesus, mas não plenamente.

Outros são os apelidos dados como o “oitavo dia”, o dia mais-que-perfeito;, também chamado, pela primeira vez nos Atos dos Apóstolos e já anunciado no Antigo Testamento, como o “terceiro dia” do Tempo Pascal.

É, portanto, um dia de importância especial para o cristão. É o dia em que se afirma, sobre a Cruz, a vitória do Bem sobre o Mal, ou, no mínimo, a certeza de que assim como Jesus venceu a Morte, o pecado, assim também o cristão, sustentado pela Graça de Deus e pelo exemplo de seu Filho, também alcançará o mesmo fim.

A Pedro, o primeiro Papa, naquela época, segundo a Tradição, coube anunciar urbi et orbis a Ressurreição do Nazareno. Depois dele conservou-se a tradição de os Papas, não na praça em Jerusalém, mas na Praça S. Pedro, no Vaticano, o mesmo anúncio.

Mas conta-nos o evangelista que outros também participaram do evento. A notícia, levada por Maria Madalena à comunidade primitiva, se derramou como o vinho novo posto no odre velho. O alvoroço foi grande e poucos entendiam, no meio da confusão generalizada que se formou, o que realmente acontecera.

Lucas nos deixou, por exemplo, o testemunho dos discípulos de Emaús. João nos relata a incredulidade de Tomé, assim como para muitos de nós, o entendimento da Ressurreição não foi – e ainda não é – assunto de fácil percepção e aceitação nem é tão simples no sentido teológico.

Nesse Domingo, quando reunidos, participantes do mesmo evento, devemos humildemente procurar entender o sentido do fato extraordinário, mas comprovável pelas circunstâncias históricas e pela fé, não como mito ou lenda, nem mesmo como metáfora dos primitivos cristãos, mas uma realidade vivida e testemunhada.

O Mistério Pascal no seu conjunto (desde a Encarnação até a Redenção) e, em particular, a Ressurreição é complexo.

Mas não é hora de enveredar nessa discussão teológica; gostaria de abordar o tema da Ressurreição na ótica pastoral, isto é, no sentido do que esse fato traz, para a vida sacramental de cada um: interferências na vida familiar, na profissional e no relacionamento com a comunidade em que vivemos.

Em primeiro lugar, a Ressurreição do Cristo Jesus, como princípio de nossa fé, levanta-nos questão importante.

Quem morreu na Cruz, não foi a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho de Deus – tão Deus quanto o Pai e o Espírito Santo, imortal, que não tem princípio nem fim, é eterno – mas a natureza humana do Filho Deus, assumida no seio da sempre Virgem Maria quando se tornou, ao mesmo tempo, verdadeiro homem, a humanidade de Jesus.

 Logo, quem ressuscitou foi o Cristo Jesus, como homem, na sua natureza humana. Trata-se, portanto de uma questão de fé, com implicações profundas. Quem não aceita a Ressurreição de Jesus Cristo, também não poderá aceitar a Encarnação do Filho de Deus no seio de Maria nem sua ascensão ao céu em Corpo, Alma e divindade.

 S. Paulo afirma, em sua primeira Carta aos Coríntios, que nossa fé será vã e inexistente se não aceitarmos a Ressurreição de Jesus Cristo: nem o próprio Jesus como Cristo de Deus.

 Ainda mais: não aceitaremos também nossa própria ressurreição, por ele prometida, no nosso corpo transformado como o dele.

 Ora, essa fé no Cristo Jesus, que nos prometeu a ressurreição na sua Parusia, sua última vinda no meio de nós, é fundamental para nossa vida sacramental, expressão de nossa fé naquele que instituiu, como Deus, todos os sacramentos. Se Jesus Ressuscitado é o mesmo Deus que instituiu os sacramentos, como recebê-lo na hóstia consagrada? Como pedir-lhe perdão por pecados cometidos? Como pedir-lhes, enfim, as graças específicas de cada sacramento?

 Essa vida sacramental é determinante para nossas atitudes religiosas e morais e nos comprometem em todas as dimensões de nossa vida em família, na profissão que exercemos, na nossa inserção na Igreja que Jesus Ressuscitado fundou..

Texto: Diácono Jayme Lopes do Couto

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