O Espírito nos é dado como sopro
Divino a nos conduzir para a vida em sua plenitude! O Espírito Santo, Terceira
Pessoa da Santíssima Trindade, é celebrado na Igreja como Solenidade de
Pentecostes e faz memória do seu envio por Jesus a seus discípulos e à
comunidade primitiva.
Na Teologia da Igreja, a
Pneumatologia é a disciplina que se ocupa da reflexão sobre o Espírito Santo. O
termo ‘pneuma’ é proveniente do grego e se traduz por ‘sopro, espírito’. Este
termo foi utilizado pela versão bíblica dos Setenta para traduzir o termo
hebraico ‘Ruah’, cujo sentido original é: ‘sopro do vento, sopro de vida ou
hálito vindo de Deus que sopra e dá vida ao comunicar seu sopro aos seres
chamados à existência. No Antigo Testamento se encontra, portanto, uma relação
entre Espírito e vida, uma vez que o ar é necessário à vida; o vento traz chuva
e fertiliza a terra.
A experiência do exílio na
Babilônia levou o profeta Ezequiel a anunciar o Espírito vivificador sobre o povo
escravizado e sem esperança de vida. Era um povo morto-vivo. O Espírito de Deus
é a força revitalizadora da esperança que anima os desesperançados. Assim em
Ezequiel temos esta belíssima passagem: “Tornar-vos-ei dentre os povos,
congregar-vos-ei e vos trarei para vossa terra (...) Dar-vos-ei um coração novo
e porei em vós um espírito novo. Tirarei de vosso peito o coração de pedra e
dar-vos-ei um coração de carne” (Ez 36, 24-28). O Espírito de Deus devolve a
vida ao povo exilado pela fome, exclusão da terra e pela morte.
Todo o Antigo Testamento pode ser
visto na história da salvação como um itinerário da comunicação da vida que
Deus faz a seu povo e da experiência do povo com um Deus pleno de amor.
No Novo Testamento, logo no
Batismo de Jesus, temos a sua unção com o Espírito Santo. E mais precisamente
em Lucas encontramos a comunhão entre Jesus e o Espírito. Jesus é conduzido e é
também portador do Espírito. Estando Jesus no templo deram-lhe o livro das
Escrituras e tomou para si as Palavras do profeta Isaías: “O Espírito do Senhor
está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa
Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos
cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um
ano da graça do Senhor” (Lc 4, 18-19). Aqui se vê que o Espírito o consagrou
para o anúncio do Reino: O Espírito atua em comunhão com Jesus na sua missão
salvífica. É o mesmo Espírito que na Festa de Pentecostes foi dado aos
discípulos para serem testemunhas do Reino e da Salvação. É o Espírito
derramado sobre toda a Igreja nascente e presente através dos tempos e da
história da vida do povo e de nossas comunidades.
Em João 20,22, Jesus Ressuscitado
e vivo na comunidade convoca seus discípulos para a missão no meio do mundo e
infunde neles o Espírito Santo, pelo qual devem anunciar pelo mundo a vida nova.
Em Atos dos Apóstolos 2,1-12, Lucas narra o Pentecostes, isto é, o Espírito
dado à Igreja primitiva. O Espírito está na base da Igreja e faz com que os discípulos
continuem no testemunho do Evangelho e da missão de Jesus. É a geração da
Igreja na história. Já o Apóstolo Paulo, lembra e exorta que o Espírito
distribui os dons a cada um, no entanto, “cada um manifesta o Espírito para a
utilidade de todos”(1 Cor 12,7). Os dons do Espírito são para a edificação da
comunidade e por isso, segundo o Apóstolo dos Gentios, estão inseridos no
mandamento do amor. Ele exorta a que busquemos dos dons mais altos e nos indica
o caminho: “Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se eu não
tivesse o amor seria como sino ruidoso ou como címbalo estridente” (1 Cor 13,1)
Esta maravilhosa revelação
contida nas Sagradas Escrituras nos faz crer na presença do Espírito Santo dado
por Cristo Jesus à Igreja a impelir os cristãos no caminho do anúncio, da
missão e implantação do Reino da vida. O Espírito é sopro de Deus sobre todos e
todas; é o dispensador dos dons e carismas da graça única de Cristo para que o
testemunho diante dos desafios da história seja com alegria e esperança na vida
e na Ressurreição. É o Espírito que sopra sobre os cristãos na luta pela vida
conforme o desejo de Jesus: “Vim para que todos tenham vida e a tenham em
abundância” (Jo 10,10). Portanto, a ação do Espírito Santo na vida dos
discípulos os conduzirá para a continuidade da missão de Jesus. Os discípulos
refletem na vida os ensinamentos de Jesus com a força do Espírito Santo.
As comunidades, pastorais,
movimentos e grupos diversos que lutam pela vida em suas variadas dimensões,
são animadas pelo sopro do Espírito: seja no cuidado das crianças, dos idosos,
da família, na luta pela terra, no combate ao preconceito e à exclusão, na
defesa da vida da juventude... É o Espírito de Cristo que nos unge e nos
impulsiona para a edificação do Reino. Vem Espírito Santo, vem!
Pe Mauro Nunes
Macaé - RJ
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