1. Os grandes objetivos do
Concílio: Ao
convocar o Concílio Vaticano II, o Papa João XXIII tinha em mente que seu
objetivo seria “aggiornare la Chiesa ”, atualizar, ajudar a Igreja
ser mais conforme ao que Jesus Cristo dela quer e a estar inserida no contexto
do mundo contemporâneo cumprindo, da melhor maneira possível, sua missão de
evangelizar. Aos poucos ele explicitou este objetivo:
- renovar a Igreja em si mesma
a partir do Evangelho
- revigorar a vida de fé, a
vida moral e apostólica de todos os membros da Igreja.
- tornar a fé católica mais
expressiva no coração do mundo contemporâneo.
- estudar as mudanças
culturais do mundo moderno à luz da Revelação Divina
- realizar profunda renovação
das estruturas organizativas da Igreja e de suas mediações operacionais para
melhor atuar em benefício de seus membros (liturgia, leitura da Palavra de Deus,
Formação dos presbíteros, organização renovada das Dioceses e Paróquias,
renovação da vida consagrada, adaptação da disciplina esclesiástica às
necessidades e oportunidades de nosso tempo...); e também renovar a Igreja em
favor de sua ação externa na evangelização e transformação do mundo (conhecer o
mundo de hoje não para condená-lo, mas com ele dialogar e com ele e nele atuar
de modo eficaz em prol da felicidade do ser humano).
2. Um gigantesco trabalho.
Para cumprir os grandes objetivos do Concílio seus organizadores tiveram que
reajustar todo o plano de trabalho proposto. Os documentos previamente
elaborados destinavam-se a facilitar o diálogo e as votações e não exigir um
tempo longo aos membros do Concílio (os padres conciliares). Mas o inesperado
aconteceu. Todos os documentos prontos foram rejeitados. Os padres conciliares,
mais de 2.500, queriam produzir o pensamento conciliar. Foi um gesto corajoso,
resultado de leituras diferentes das grandes propostas do Papa, com ênfase na
atenção às origens da Igreja, à realidade do mundo em mudança e ao futuro. Esta
mudança de rumo exigiu outros processos metodológicos, outra organização do
Concílio, com nova escolha dos temas, nova formação de grupos de estudo e nova
proposta de prazos. A tarefa prioritária consistia agora em um reestudo sobre a
própria razão de ser da Igreja, de seu funcionamento na história e de sua missão
no mundo em constante mudança. Este estudo implicou uma volta às Sagradas
Escrituras, à pessoa, mensagem e missão de Jesus, à Igreja primitiva e aos
grandes dogmas que configuraram os elementos fundamentais da fé cristã, assim
como da organização da Igreja e de sua compreensão da missão. Mas a tarefa do
Concílio exigiu-lhe, também, um debruçar-se amplo, corajoso e, com abertura de
espírito, sobre a realidade do mundo contemporâneo.
3. Organização do
Concílio. Definiu-se que haveria quatro grandes sessões conciliares e que
entre as mesmas haveria um intenso trabalho de leitura e produção do pensamento
conciliar, com um acordo sobre o encerramento dos trabalhos em
1965. A
língua oficial seria o latim. Esta primeira sessão do Concílio, iniciada em 08
de outubro de 1962, definiu os temas a serem apresentados nas diversas sessões
conciliares para debate final e votação e foram organizados os grupos de
trabalhos segundo cada tema. Os instrumentos de trabalho seriam enviados a todos
os membros do Concílio para receber contribuições. Um ponto a destacar é a
representatividade da Igreja, pois os participantes do Concílio procediam de
todas as partes do mundo e ainda havia convidados de outras igrejas cristãs e
das grandes religiões, demonstração óbvia de grandes mudanças internas na
Igreja, no próprio ato de convocar e organizar o Concílio.
Irmão Nery
fsc
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